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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Farol do Bugio



O Farol do Bugio localiza-se no Forte de São Lourenço do Bugio, sobre o ilhéu do Bugio, à entrada do estuário do Tejo. Foi edificado em 1586, destruído pelo terramoto de 1755, foi reconstruído e após inúmeras catástrofes marítimas e por decreto do Marquês de Pombal, em 1775 instalou-se ali um farol. A pouca eficiência e consequente inutilidade como ajuda à navegação do aparelho de então está na origem das queixas em 1812, que obrigaram a alterações nos anos de 1829 e 1836. Dezasseis "candeeiros de Argand" produziam uma luz branca com um alcance de 16 milhas em 1865. Em 1895 a modificação no aparelho, agora alimentado a petróleo, produzia além da luz branca fixa, clarões vermelhos de 20 em 20 segundos. O gás passa a ser fonte de energia em 1933 para em 31 de Dezembro de 1959 dar lugar à electricidade.

Várias gerações de faroleiros passaram por ali, até que em 1982 foi abandonado à automatização.

Desde que eu me lembro sempre admirei este farol, para além de estar sempre presente na paisagem, esteve, está e estará sempre presente na minha vida, desde os tempos de estudante em que todos os dias o via, quer pelas deslocações de Cascais para Lisboa e vice-versa pela marginal ou de comboio. Posso contabilizar como muitos milhares as visualizações.
Em mim, os faróis exercem um fascínio, não sei explicar, no caso do Bugio em particular talvez por estar rodeado por água, sempre distante e inacessível, mas ao mesmo tempo sempre disponível a ajudar e "amigo". Em Fevereiro de 2016, num voo com amigos a partir de Tires, foi sobrevoado e admirado, deu para perceber a sua real dimensão e ao mesmo tempo a sua pequenez no meio da paisagem. Em dias de tempestade devia ser muito difícil a vida dos faroleiros residentes.

CANDEEIROS DE ARGAND, a lâmpada de Argand foi inventada e patenteada em 1780 por Aimé Argand, um físico e químico suíço. Melhorou muito a iluminação doméstica da altura, predominantemente feita por lâmpadas a óleo, produzindo uma luz equivalente a cerca de 6 a 10 velas. Para além da melhoria no brilho, a combustão mais completa do óleo requeria ajustamentos muito menos frequentes da torcida. Esta lâmpada, dadas as suas características de forte intensidade de luz e estabilização de chama, sem produzir fumos, revolucionou a iluminação de faróis.

MILHA MARÍTIMA, é uma unidade de medida de comprimento ou distância, equivalente a 1 852 metros, utilizada quase exclusivamente em navegação marítima e aérea e na medição de distâncias marítimas. 

EPISÓDIO DE "VISITA GUIADA" (RTP) SOBRE O FAROL DO BUGIO, episódio 22 da série da Temporada 4, transmitido em 26 de Setembro de 2016. Para visualizar o episódio clicar aqui.

FOTOS, para além das fotos publicadas e tiradas por mim durante o voo, são publicadas também fotos da WikiPédia, DGPC, AMN,














Fotos tiradas quando se sobrevoávamos o Farol do Bugio em Fevereiro de 2006.


DGPC - Direcção-Geral do Património Cultural

A base da fortaleza, de planimetria circular, assenta sobre todo o ilhéu, protegida por uma muralha baixa, com alambor. Ao centro da praça foi erigida a torre, também circular, dividia em dois registos, com 21 dependências interiores e poucas janelas rasgadas no seu perímetro, e integrando uma capela dedicada ao padroeiro São Lourenço, com retábulo-mor em embrechados de mármore e espaço interior forrado de madeira.O estado de degradação das muralhas da fortaleza, devido à forte exposição à violência das vagas, exigiram obras de fundo com grande urgência devido ao risco eminente de colapso das muralhas que podiam levar à destruição total do mais belo farol português. Obras de consolidação por risco de desabamento foram efectuadas entre 1996 e 2000.
 
Vista geral

Muralha exterior
Acesso ao terraço

Pátio central com portal da capela
Pátio central e passadiços superiores do farol

Terraço da muralha exterior


Torre do farol
Pátio central e passadiço do farol
Interior da Capela







































Um pouco de história ...

 









 

 







E se procurarem saber porque é que todas as imaginações humanas, frescas ou murchas, tristes ou alegres, se voltam para o passado, curiosas de nele penetrarem, acharão sem dúvida que o passado é o nosso único passeio e o único lugar onde possamos escapar dos nossos aborrecimentos quotidianos, das nossas misérias, de nós mesmos. O presente é turvo e árido, o futuro está oculto.


["Voltar ao Passado" em "A Vida em Flor", Anatole France (1844-1924)]


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Praia de S. Julião, Sintra e Mafra





Praia situada mais a norte do Concelho de Sintra. O Rio Falcão divide a Praia em dois concelhos, Sintra e Mafra, localizando-se a maior extensão de areal no Concelho de Sintra, com cerca de 2 km de areias brancas e um mar azul que convida ao banho. Esta praia é muito frequentada por adeptos de desportos aquáticos, como é o caso do bodyboard e do surf, sendo também excelente para a pesca desportiva por possuir muitos pesqueiros.

A paisagem desta praia é muito semelhante à praia de Magoito, para além do rio tem o mesmo tipo de falésias, a excepção é a dimensão do areal que no caso de S. Julião são 2 Km até à praia da Vigia, no caso de Magoito é muito menor e é substituído por rochas até à praia da Aguda.

Frequentei muitas vezes esta praia indo sempre pelo caminho da Assafora, a paisagem interior mudou muito, poderão observar por uma foto tirada por mim no verão de 1983 existia muita construção ilegal (não sei se surgiu após o 25 de Abril ou já existia anteriormente) assim como campismo selvagem, mais tarde as construções foram abaixo deixando a duna na sua forma natural e respectiva função. 

Neste local existe uma Ermida de peregrinação, construída no século XVIII, com painéis decorados de azulejos azuis e brancos, cujo tema é a vida de S. Julião e Santa Basilissa. Tem também um conjunto de relógios de sol verticais, em pedra, datado de 1754.
Em Setembro decorre aqui uma das festividades mais características da região: o Círio de Ribeira de Pedrulhos, também conhecido por Círio da Água-Pé.
Junto à ermida existe um conjunto de pequenas casas.

Existe uma colónia de férias da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa.

RIO FALCÃO, o Rio Falcão divide a Praia em dois concelhos, Sintra e Mafra. Também indica o limite final a norte do Parque Natural Sintra Cascais. 

JULIÃO E BASILISSA (304), foram um casal de esposos, mortos como mártires em Antioquia ou, mais provavelmente, em Antinoópolis, no Egito, durante o reinado de Diocleciano. São venerados como santos por diferentes confissões cristãs.
Segundo a tradição, Julião, que havia feito voto de castidade, teria sido forçado por sua família a se casar com Basilissa, que também queria consagrar-se a Deus. Assim, acabaram se casando mas fizeram um acordo entre si, preservando a virgindade durante toda a vida.
Basilissa fundou um convento feminino, do qual foi superiora, e Julião reuniu um grupo de monges e fundou um mosteiro.
Julião e Basilissa transformaram sua casa em um hospital, onde chegaram a atender a mais de mil pessoas.
Basilissa morreu pacificamente, mas Julião foi decapitado durante as perseguições de Diocleciano. Preso por Marciano, um governador de Antioquia, com ele, foram martirizados Celso e Marcionila, filho e mãe, o sacerdote Antonio de Antioquia e o converso e neófito Anastácio de Antioquia. Diz-se também sete irmãos de Marcionila foram mortos. 

FOTOS, as fotos de suporte ao texto foram obtidas por mim em 1983. As fotos actuais para comparação e diferenças foram obtidas via internet.


Interior da praia em 1983, construção inacabada não sei o que aconteceu.

Interior da praia em 1983, visível à esquerda o acesso a Assafora.









A praia em 1983, foto tirada em altura de maré vazia, muito boa dimensão de areal e na altura as pessoas não se atropelavam umas às outras. :)


A praia actualmente

 














  

 

Em 1983 a Ermida, o marco e o pequeno ajuntamento de casas pequenas.




A Ermida
O marco

As casas pequenas




























Actualmente a Ermida, o marco e o pequeno ajuntamento de casas pequenas.


A Ermida
O marco

















As casas pequenas



















Curiosidades




A arte de Ian Ross na Praia de São Julião
 
Munido de ancinhos e uma bicicleta, o artista trabalha rapidamente durante a maré baixa, criando intrincados desenhos sobre a areia húmida.


A imagem é do fotógrafo sintrense Nuno Antunes, que tem acompanhado o norte-americano durante os seus trabalhos no concelho de Sintra.










 
 Em 1983, havia um pequeno café/bar cujo dono devia ter uma fixação em batatas com formatos estranhos, só tirei 3 fotos mas havia muito mais.


  







E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos    E por vezes

 
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes


ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites      não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos


E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos


["E por Vezes" em "Matura Idade" (1973), David Mourão-Ferreira (1927-1996)]