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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O efeito da praia e do mar em mim


Hoje, na sequência de uma série demasiado longa de dias "fechado" no ambiente citadino, sentindo cada vez o peso opressor sobre os ombros e não só, fui ver o mar e a praia, dia espectacular, apesar do frio cedo aqueci devido a dois motivos: o sol e a caminhada entre a praia do Guincho e o Farol do Cabo Raso.

Conforme ia andando, admirando a natureza em terra e a beleza do mar, respirando a mistura de ar puro terra/mar, fui libertando este "peso" interior, tal como uma chaminé a escoar o fumo, ao fim de algum tempo já me sentia mais "leve", mais calmo e com mais energia.

Principalmente o mar tem este efeito em mim.

Durante o percurso estive a admirar as dezenas de surfistas nas suas manobras, com pensamentos positivos acerca da prática em contacto permanente com o mar - devem ser das pessoas mais felizes da sociedade!

No final da tarde e na sequência de uma pesquisa na web, estive a ler um artigo que vou tentar transcrever e que responde em parte ao efeito da natureza e do mar em mim, penso que não serei caso único.


A neuro-ciência recomenda ir à praia regularmente.

Especialistas dizem que é muito importante passar algum tempo ao ar livre porque nos ajuda tanto fisicamente como mentalmente, há muitos benefícios se passarmos esse tempo na praia.

Segundo os cientistas, a sensação incrível de paz e tranquilidade que se sente na praia é conhecida como "espaço azul" ou "mente azul", efeito da combinação de cheiros suaves e sons de água no nosso cérebro.

As pessoas que vivem no litoral relatam uma melhor saúde física e mental do que as pessoas que não moram lá. O estudo afirma que as pessoas que vivem com uma visão do oceano sentem-se mais calmas do que as que não vivem.

Segundo o estudo, quando se está na praia, há uma mudança na forma como o cérebro reage a esse ambiente, sentimo-nos mais felizes, relaxados e revitalizados.

Como o “espaço azul” nos afecta?

1. A praia ajuda a aumentar a nossa criatividade

Quando nos sentimos exaustos e presos pela rotina, visitar a praia pode ser uma óptima solução. O “espaço azul” pode ajudar a limpar a mente e abordar os problemas e projectos em que estamos presos. Como a meditação, a praia pode ajudar a provocar aquela sensação de calma que nos ajuda a reflectir e a nos concentrar no que devemos.

2. Em geral, passar o tempo na praia mudará a nossa visão sobre a vida

Não precisamos de ser um especialista para saber que a natureza nos ajuda a levar uma vida mais feliz e saudável, graças ao que é produzido nos arredores, além de que dizem por aí que a praia é muito boa para curar a alma.

3. Visitar a praia reduz o stress


Dizem que a água é a cura da natureza para curar os factores stressantes da vida. A água está cheia de iões positivos naturais que têm a capacidade de nos fazer sentir melhor. Simplesmente imergindo-se na água, podemos sentir uma sensação de relaxamento.

4. Visitar a praia ajuda a reduzir sentimentos de depressão


Segundo os cientistas, o mar tem o efeito de nos ajudar a aliviar os sentimentos de depressão. O som hipnótico produzido pelas ondas e os odores do mar criam um espaço meditativo, ajuda a limpar a mente e reflectir sobre a vida num espaço seguro, longe do caos e dos problemas.





Resumindo, por mais absurdo que pareça, tudo o que precisamos é de sol, areia e mar. Como complemento para a felicidade, precisamos de algum dinheiro para as batatas fritas e bolas de Berlim.




quinta-feira, 19 de abril de 2018

Fajã da Caldeira de Santo Cristo, Ilha de São Jorge, Açores.





Na sequência do "post" anterior acerca da Fajã dos Vimes e da situação única relativa à plantação do café, vou agora escrever acerca da Fajã da Caldeira de Santo Cristo e da particularidade de ser o único local dos Açores onde existe e se reproduz amêijoa.

Acerca da Fajã da Caldeira de Santo Cristo, é uma das cerca de 70 existentes na Ilha de São Jorge, localizada na costa Norte da ilha, entre as Fajãs dos Tijolos e da Redonda, freguesia da Ribeira Seca, Concelho da Calheta. Foi classificada em 1984 como Reserva Natural, pelo Governo Regional dos Açores, especialmente por causa da existência de amêijoas na sua lagoa denominada Lagoa da Fajã de Santo Cristo.

O único acesso é a pé ou de moto4. Os grupos de turistas costumam descer pela Caldeira de Cima, visitar a Fajã da Caldeira de Santo Cristo e caminhar até à Fajã dos Cubres por onde saem das fajãs. Este é, possivelmente o mais famoso circuito pedestre da ilha de São Jorge.

Com os temporais, sempre fortes nesta costa voltada a norte e o consequente mar bravo deu-se o entulhamento do canal que ligava a lagoa ao mar, este só há poucos anos é que foi restaurado. É uma lagoa de águas muito quentes e por isso frequentada por banhistas e veraneantes.

O terramoto de 1980 causou desmoronamentos em ambos os acessos da fajã, destruiu a rede telefónica, e isolou a Caldeira de Santo Cristo do resto do mundo. Os habitantes tiveram de ser retirados por um helicóptero da Força Aérea Portuguesa. Muitos deles fixaram residência noutros pontos da ilha de São Jorge e outros emigraram.

Esta fajã é um dos locais mais recônditos da ilha de São Jorge e graças à ondulação aqui existente e ao extraordinário envolvimento paisagístico, a Fajã de Santo Cristo é considerada um santuário do bodyboard e surf, sendo procurada por praticantes da modalidade vindos de todo o mundo.

Está classificada como sítio de importância internacional ao abrigo da Convenção de Ramsar (a Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional ou Convention on Wetlands of International Importance), relativa às Zonas Húmidas de Importância Internacional como Habitat de Aves Aquáticas, graças à sua lagoa. As aves mais frequentes nesta fajã são: O pato, o garajau, o cagarro, o ganso, o pardal, a lambandeira, o melro, e o estorninho e dezenas de outras aves migratórias que passam pela lagoa a caminho do seu destino.


AMÊIJOAS, são moluscos que possuem uma concha dupla (bivalve) que envolve todo o organismo e as protege dos predadores. No arquipélago dos Açores ocorrem poucas espécies de amêijoas com interesse pesqueiro. A única espécie comercialmente explorada é a vulgarmente conhecida por amêijoa-boa - Tapes decussatus -, que ocorre apenas na Ilha de São Jorge, mais precisamente na Lagoa da Fajã de Santo Cristo. Apesar de existir no continente (Algarve, Aveiro, etc.) em nenhum outro local atinge um tamanho tão grande como em São Jorge (mais de 8 cm).
A exploração deste recurso é regulamentada, as medidas adoptadas são:
  • Obrigatoriedade de todos os apanhadores possuírem uma "licença de apanha", efectuarem todas as descargas em lota e preencherem um "Diário de apanha";
  • Período de defeso entre 15 Maio e 15 de Agosto;
  • Tamanho mínimo de captura de 40 mm;
  • Proibição de captura na zona-entre-marés;
  • A captura máxima permitida por apanhador licenciado é de 50 kg por mês;
  • Utilização de ancinhos com um mínimo de 4 cm de distância entre dentes.
REPORTAGEM, reportagem da RTP Açores de Novembro de 2012, com o assunto "É seguro viver numa fajã de São Jorge?" com especial incidência na Fajã da Caldeira de Santo Cristo. Veja o vídeo aqui.

FOTOS, todas as fotos publicadas foram obtidas na web de variados sites e autores, Wikipédia, revista Fugas, Universidade dos Açores, turismo.



































A apanha da amêijoa


































Não há certezas sobre a origem desta espécie na lagoa de Santo Cristo, mas suspeita-se que tenha sido trazida, no final do século XIX, pelos ingleses que por aqui passaram quando da instalação do cabo submarino que ligaria Lisboa aos Açores, lê-se no site do Siaram, organismo da Direcção Regional do Ambiente do arquipélago. Talvez seja por isso que na fajã ainda há quem se refira às amêijoas como “clames”, adaptação da palavra inglesa clams.




Vejo, logo Existo

Sou um visual. O que na memória trago, trago-o visualmente, se susceptível é de assim ser trazido. Mesmo ao querer evocar em mim uma qualquer voz, um perfume qualquer, não evito que antes que ela ou ele me vislumbre no horizonte do espírito, me apareça à visão rememorativa a pessoa que fala, a coisa donde o perfume partiu. Não dou isto por absolutamente certo; pode ser que, radicada em mim de vez a persuasão de que sou um visual, no lugar final do sofisma que é a escuridão íntima do ser me fosse desde então impossível evitar que a ideia de que sou um visual não levantasse imediatamente uma imagem falsamente inspiradora. Seja como for, o menos que sou, é um visual predominantemente. Vejo, e vendo, vivo.

["Inéditos", Fernando Pessoa (1888-1935)]

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Praia Grande, Sintra



A Praia Grande é uma praia do concelho de Sintra, integrada no Parque Natural de Sintra-Cascais. Conforme o nome indica tem um areal relativamente extenso. Normalmente tem uma forte ondulação com óptimas condições para a prática do surf e do bodyboard. Nesta praia, todos os anos, disputam-se diversas provas de desportos náuticos, entre eles o campeonato mundial de bodyboard.

Possui uma piscina oceânica no extremo norte integrada num complexo hoteleiro, enquanto que a sul existem vestígios de pegadas de dinossauros do período cretácico com cerca de 110 a 115 milhões de anos. As pegadas encontram-se marcadas na escarpa sul da arriba que se caracteriza por grandes blocos xistosos, perpendiculares à linha de mar - um total 66 pegadas, das quais 51 distribuídas por 11 rastos, parecendo as restantes estar isoladas. 0s rastos parecem ter sido feitos por animais bípedes.

Em 1973 nós estávamos a morar em Massamá (na altura havia um núcleo central e quintas a toda a volta, que diferença para a "versão" actual), éramos servidos por carreiras de autocarros e entre eles havia uma carreira da Companhia Sintra-Atlântico com origem nas Azenhas do Mar e destino Lisboa.  Aproveitando essa carreira no verão de 1973 eu e o meu irmão passamos férias no complexo das piscinas da Praia Grande, compramos acessos para 15 dias com desconto de quantidade, assim, de manhã cedo apanhávamos a camioneta com destino à Praia Grande e retornávamos na última carreira às 18h30m. Era um porta a porta muito cómodo em que se aproveitava para dormir um pouco em cada sentido.
De manhã ao chegar à piscina ainda a estavam a encher com a água do mar, as manhãs na piscina e praia começavam tarde devido à sombra provocada pelo complexo e monte ao longo da praia, por este motivo ainda esperávamos algum tempo até ao primeiro mergulho do dia.
Passávamos dias inteiros na piscina com aluguer de cadeira para os banhos de sol, sempre que queríamos tínhamos acesso ao café/restaurante no 1.º andar do complexo para comidas e bebidas.
Foram talvez os 15 dias mais descansados de férias que tive.
Depois destas férias ainda fui umas dezenas de vezes a esta piscina algumas delas já com a minha filha, que bom mergulhar nas águas quentes da piscina dos mais pequenos.

Em Março de 2014 fiquei muito impressionado com a violência da tempestade que se abateu sobre a Praia Grande, o mar a galgar a terra, a altura das ondas ao nível do telhado do bloco de apartamentos situado na marginal da praia, a marginal parecia um rio a correr em direcção ao mar. Impressionante e que nos deve deixar a todos muito atentos para o futuro.


PISCINA OCEÂNICA, é uma das maiores piscinas de água salgada da Europa, é dentro do mar e o seu comprimento é de 100 metros! É constituída por dois planos de água, um para crianças, com uma profundidade até 0,65 metros e outro para adultos, com uma profundidade compreendida entre os 0,80 metros e os 3,95 metros. A temperatura média da água situa-se entre os 19ºC e os 24ºC, sendo que a água vem directamente do mar. A plataforma de saltos tem 2 pranchas, cada uma a 3,10 metros de altura.
Encontrasse em regime de livre trânsito, permitindo assim a livre circulação, tanto dentro como fora da área do hotel. Todos os anos abre em meados de Maio.

ARRIBAS SINTRA HOTEL ***, a piscina oceânica faz parte do complexo deste hotel que se classifica com o "O Hotel mais ocidental da Europa", com o slogan "Sobre o MAR. Uma experiência única!". Veja o vídeo aqui. 

VERT MAGAZINE, o crowd é garantido pela Praia Grande, mas as ondas também. Na água, o nível é sempre dos mais altos ou não servissem as suas ondas de palco de treinos aos melhores bodyboarders da Grande Lisboa, Cascais e Carcavelos.
  • Tipo de onda: Tubular e com força acima da média.
  • Picos usuais: Canto do morto, esquerda da Galé, direita e esquerda do hotel (a meio da praia) e direita da piscina.
  • Melhor swell: Oeste, mas também funciona com swell de sul.
  • Melhor vento: Leste, mas o sul também dá.
  • Tamanho: No verão a média é 1m com muitos dias de 1,5m. No máximo pode dar entre 2,5 a 4 metros em alguns picos como, por exemplo, a esquerda do morto, com condições ideais e muito sol.
FOTOS, as fotos publicadas foram obtidas em várias proveniências via internet: wikipédia, C. M. Sintra, riodasmacas.blogspot.com, restosdecoleccao.blogspot.pt, playocean.net, portugalfotografiaaerea.blogspot.com, Vert Magazine.


 



A praia em ambiente de prova desportiva.


























Escarpa sul, blocos xistosos, perpendiculares ao mar
Pegadas







 

 






 

Complexo da Piscina da Praia Grande

 


 

A tempestade em Março de 2014



O mar a galgar terra até à marginal.

Ondas contra a parede da marginal com altura do bloco de apartamentos.

 

Companhia Sintra-Atlântico

 









 

 








Ao contrário da ideia assente
A palavra não é criadora de um mundo;
O homem fala como o cão ladra
Para exprimir raiva, ou medo.


O prazer é silencioso,
Tal como o é o estado de felicidade.


["O Prazer é Silencioso" em  "A Possibilidade de uma Ilha" (2005), Michel Houellebecq (1958)]