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quarta-feira, 16 de maio de 2018

A montanha do Pico, Ilha do Pico, Açores.

Mapa da ilha do Pico em 1570, que integra a obra "'Mapas do Reino de Portugal e suas conquistas", compilação de diversos atlas, livros e mapas elaborados entre os séculos XVI e XVIII. Biblioteca Nacional do Brasil.

Este blogue surge na sequência de notícia publicada no "Observador.pt" em 2018-05-16, de que a equipa açoriana Santa Clara cumpriu promessa e subiu ao Pico para assinalar regresso à I Liga, cujo objectivo foi a de:
"Mostrar que os Açores têm a montanha mais alta do país", e o Santa Clara teve de "mover montanhas" para chegar ao escalão máximo do futebol português.
Esta subida à montanha do Pico faz parte à muito tempo de uma lista curta de objectivos a realizar por mim, ainda este século porque a idade não perdoa, de modo a poder ficar como uma das lembranças mais significativas da minha vida.

Conforme foi dito pelo treinador da equipa e que subscrevo totalmente: “Quando se quer alcançar muito algo, vai custar, custa sempre, mas vale a pena”.

A Montanha do Pico é um estratovulcão que, com 2 351 metros de altitude, constitui a mais alta montanha de Portugal. A sua altitude é mais do dobro da de qualquer outra montanha dos Açores. Medido a partir da zona abissal contígua, o edifício vulcânico tem quase 5 000 metros de altura, quase metade submersa sob as águas do oceano Atlântico.

Localizada na parte ocidental da ilha, no cimo da montanha localiza-se a cratera do vulcão propriamente dito e dentro dessa cratera, numa erupção recente do ponto de vista geológico surgiu outra elevação de menor dimensão a que foi dado o nome de Pico Pequeno ou Piquinho, com cerca de 70 metros de altura. Na base desta segunda elevação emanam fumarolas vulcânicas com forte teor de enxofre. A cratera apresenta-se sensivelmente arredondada, tendo cerca de 700 metros de perímetro por uma profundidade medida a partir dos bordos de cerca de 30 metros.

A escalada da Montanha do Pico faz parte dos trilhos pedestres da ilha do Pico, constituindo-se no Trilho Pedestre da Montanha do Pico. Subir à montanha do Pico não deve ser encarado de ânimo leve e com irresponsabilidade, dado não só a altitude que se atinge, mas a orografia do local, o facto de se poder em qualquer altura ficar rodeado de nuvens ou neblinas cerradas e mesmo por vezes chuvas intensas.


Esta escalada permite ao alpinista o apreciar de uma calma e serenidade que só se encontra no silêncio das grandes montanhas. No horizonte, onde o mar é rei e senhor encontra-se um azul inebriante que muda de tom conforme a hora do dia e a nebulosidade.
A noite, quando a Lua reina nos céus a paisagem é mais estranha, bucólica, no mar iluminado pelo luar nasce uma estrada de luz que se estende até ao horizonte. Ao redor do alpinista impera o silêncio aqui e ali entre-cortado pelo murmúrio do vento.
O oceano atlântico agiganta-se lá no fundo dos 2.351 metros da montanha com as ilhas do grupo central dos Açores a pintalga-lo, avista-se logo ali a ilha do Faial, mais além, a ilha Terceira, a ilha de São Jorge e a ilha Graciosa. Durante o dia distinguem-se os seus pormenores e recostes, mas à noite somente a luz artificial da humanidade é visível.

REPORTAGEM, reportagem da RTP Açores de Agosto de 2001, com o assunto "Açores: a riqueza da fauna e da flora na Ilha do Pico." Veja o vídeo aqui.

VULCÃO DA MONTANHA DO PICO, é o terceiro maior do Atlântico, é um vulcão recente com cerca de 750 mil anos de idade. A última erupção ocorreu em 1718.

DORSAL MESO-ATLÂNTICA, ou crista oceânica do Atlântico, é uma cordilheira submarina localizada ao longo do fundo do Oceano Atlântico e o Oceano Ártico por mais de 65.000 km, como a costura de uma bola de basebol. É a mais longa cadeia de montanhas sobre a terra, no entanto mais de 90% está localizada debaixo de água. Há poucos lugares na Terra onde ela se projecta para fora da superfície do oceano, sob a forma de algumas ilhas, uma das quais é a Islândia. A Islândia tem a maior parte da dorsal exposta acima do nível do mar.

A MONTANHA DO PICO NA DORSAL MESO-ATLÂNTICA, é o ponto mais alto da dorsal, embora existam pontos mais altos em ilhas atlânticas, mas fora da dorsal. Tem um isolamento topográfico de 1 451 km, distância a que se encontra do mais elevado Roque de los Muchachos, nas Canárias.

CARTA DE PRINCÍPIOS DE ESCALADA À MONTANHA DO PICO, criada com a implementação do Trilho Pedestre da Montanha do Pico, estabelece os princípios e regras que devem ser tidos em conta de forma a não por em perigo a vida a quem ascende à montanha.

FOTOS, todas as fotos publicadas foram obtidas na web de variados sites e autores, Wikipédia, turismo.



A montanha

Montanha do Pico ao pôr-do-sol

Montanha do Pico com "capacete"

A Montanha do Pico coberta de neve, vista da Ilha de S. Jorge.


























O cimo da montanha: a cratera e o "Piquinho"


Curiosidades



Foto na cratera









A subida da equipa do Santa Clara, que deu origem a este blogue.
Foto no "Piquinho"


Subida à Montanha do Pico em 1914
Publicado na revista Ilustração Portuguesa, nº422, de 23-03-1914

Na cratera da Montanha do Pico, fotografia tirada em 1901 durante a subida dos irmãos Goulart (Fonte: Manuel Goulart, colecção do New Bedford Whaling Museum).

Missa campal na cratera da Montanha do Pico, em 1954.08.15

"Esta Missa foi celebrada devido aos acontecimentos que começavam a verificar-se em Goa, Damão e Dio, na chamada Índia portuguesa. Nheru, líder da União Indiana, queria o regresso daqueles territórios ao seu país, e activistas indianos, seguindo a politica de "não-violência" de Ghandi, deslocavam-se em massa até às fronteiras das zonas sob controlo de Portugal, procurando invadi-las pacificamente. A celebração na Montanha do Pico, a primeira que ali se fez, foi transmitida pelo Emissor Regional dos Açores. Como se sabe a União Indiana acabou por invadir militarmente os territórios em 1961, aprisionando alguns milhares de tropas portuguesas. Havia alguns açorianos entre eles e conheci mais tarde um deles em S. Miguel, José Sebag, nascido no Faial, um grande homem da comunicação social, principalmente da rádio, e poeta surrealista de valor (pouco conhecido infelizmente). Morreu ainda novo há alguns anos." - Por Manuel João Coelho
(Fonte: fotografia de autor desconhecido, arquivo de António Silva)








Dorsal Meso-Atlântica


Mapa da Dorsal Meso-Atlântica.
Na Islândia, podemos caminhar em parte da dorsal acima do nível do mar.


Na Islândia, no maior lago natural Thingvallavatn, podemos mergulhar entre as duas placas tectónicas.
 
 









A Tempo

A tempo entrei no tempo,
Sem tempo dele sairei:
Homem moderno,
Antigo serei.
Evito o inferno
Contra tempo, eterno
À paz que visei.
Com mais tempo
Terei tempo:
No fim dos tempos serei
Como quem se salva a tempo.
E, entretanto, durei.



[Poema "A Tempo" em "O Verbo e a Morte" (1959), Vitorino Nemésio (1901-1908)]


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Biscoitos, Praia da Victória, Ilha Terceira, Açores


Na ronda pelas piscinas naturais da Ilha Terceira continuo por Biscoitos, onde íamos muitas vezes passear e fazer piqueniques na Serreta, a paisagem junto ao mar faz lembrar muito a Ilha do Pico. No meio das rochas basálticas foram construindo várias piscinas que juntamente com o microclima da zona fazem dela uma excelente zona balnear.

Trata-se de uma zona de importante tradição vinícola justamente por a terra queimada ser pobre e pouco mais dar do que vinha que ainda assim tem de ser protegida das intempéries por curraletas feitos com a própria pedra basilar, semelhante ao processo de cultivo de Porto Martins e da Ilha do Pico. 
O vinho Verdelho aqui produzido é de excelente qualidade e com grande tradição, já era usado nas naus nos tempos dos descobrimentos portugueses pois era um produto que se aguentava bem no mar.

Filme disponibilizado no site da Junta de Freguesia de Biscoitos sobre a freguesia onde se poderá ficar com uma pequena ideia da mesma e a sua zona balnear. Para ver o video.



BISCOITOS, O nome Biscoitos é dado aos terrenos formados pelas lavas provenientes de erupções vulcânicas.

VERDELHO, este vinho, um dos que mais tradição têm nos Açores, é detentor da designação "Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada". A uva é cultivada nas ilhas com registos que recuam quase ao início do povoamento dada a sua resistência ao mar, produzem um vinho licoroso que se caracteriza por um elevado teor alcoólico, geralmente em torno dos 17º. Têm uma cor agradável, algo entre o ouro velho e o ouro palha, com laivos esverdeados.

FOTO, a foto inicial que publico mostra parte da povoaçã0, foi tirada das piscinas naturais para terra em Fevereiro de 2009 durante as minhas férias na ilha.
















"Curraletas" (Fonte Junta Freguesia de Biscoitos)







 








O Museu do Vinho dos Biscoitos procura contar os 430 anos de história da cultura da vinha na freguesia dos Biscoitos e que igualmente procura integrar-se na tradicional paisagem de produção de vinho dos biscoitos, actualmente Região Demarcada. Neste museu é possível ver todo o processo de produção de vinho, desde o cultivo da videira até à maturação da vinha e à transformação desta em vinho ou nos seus subprodutos.

Impacto visível após o sismo de 1980 (Fonte Junta Freguesia de Biscoitos)



Zona Balnear de Biscoitos

Instalações de apoio e entrada para a zona balnear.



Não está ninguém na zona balnear, porque será? (Fonte Junta Freguesia de Biscoitos)



Meu Primo Chico Maria,
Maioral do meu concelho,
Alfenete de oiro puro
Como vinho de verdelho!

Meu Primo Chico Maria,
Nem visconde nem barão;
Pinheiros da tua casta
Não querem escoras, não!

Meu Primo Chico Maria!
Nas tuas pipas de vinho
Cabia o mar dos Biscoitos
E o povo do Raminho…

Meu Primo Chico Maria,
Dono da Agualva e Fontinhas!
Dizei-me se lá do Céu
Tendes saudades das vinhas…



[Poema em "Festa Redonda Décimas & Cantigas de Terreiro Oferecidas ao Povo da Ilha Terceira" (1950), Vitorino Nemésio (1901-1978)]


sábado, 11 de novembro de 2017

Ilha do Faial, Açores

Em Setembro de 2004 fui passar férias na Ilha do Faial, para além das visitas usuais e obrigatórias todos os dias fizemos praia.
Gostamos muito do ambiente cosmopolita da cidade da Horta, de todo o movimento na Marina da Horta que foi o primeiro porto de recreio a ser inaugurado nos Açores, do elevado número de estrangeiros e da presença sempre constante do Pico com as suas várias imagens ao longo do dia.
É ponto de paragem obrigatória para todos os veleiros que atravessam o Atlântico norte. 

A série "O Homem e a Cidade" produzida pela RTP em 1996 dedicou um dos episódios à Ilha do Faial - "A Ilha da Bruma", veja o vídeo aqui.


PETER CAFÉ SPORT, famoso no mundo dos velejadores, foi inaugurado em 1918, funciona como um ponto de encontro. Passou a ser um ritual a visita diária ao café, seja para um Gin, seja para uma refeição ligeira.  Ambiente fantástico assim como a decoração.

VULCÃO DOS CAPELINHOS, impressionante a força da natureza que do nada adicionou esta "terra" toda à ilha. Visitamos o museu, ficamos a conhecer a história e pudemos visualizar as pedras lançadas a quilómetros que caiam sobre os terrenos e casas. Na altura ainda não havia o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos (CIVC).

SCRIMSHAW, é a arte de entalhe e gravação ou pintura de marfim - dentes e ossos da mandíbula de cachalotes. Visitamos o museu por cima do Peter Café Sport, é impressionante o detalhe e a beleza das gravações.

GIN, o gin é igual em toda a parte mas o que se toma no Peter tem outro saber, seja no interior ou na esplanada.

ORIGEM DO NOME DA CIDADE DA HORTA, a cidade da Horta foi fundada pelo flamengo Joss Van Huertere, que teve a concessão da ilha do Faial em 1468 e que deu o nome à cidade.

FOTO, a foto inicial tirada a partir do Monte da Guia mostra a dimensão da cidade da Horta e a Marina.


Casa muito antiga na cidade da Horta com portadas e varandas em madeira, faz lembrar a arquitectura das casas nas Canárias.
Entrada para a Marina e o Peter Café Sport.























Imagem do porto da Horta, onde parte o barco para a Ilha do Pico, visível na foto no lado esquerdo.
Imagem da Marina
Vulcão dos Capelinhos
Praia do Norte
Contraste da espuma da onda contra a areia preta.
Caldeira do vulcão.
Imagem da zona dos Flamengos com o Pico ao fundo.

 Scrimshaw, exemplos de pinturas e gravações em dentes de cachalote.

Interior do Peter Café Sport.





"(...) Como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar. (...)"


[V Centenário do Descobrimento dos Açores (1932), artigo com definição do conceito "Açorianidade" , Vitorino Nemésio (1901-1978)]


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Viagens de barco entre Lisboa e Açores

Anúncio de prestígio inserido na Revista de Marinha de Janeiro de 1939
Quando fui para os Açores e o respectivo regresso ambas as viagens foram por barco, a viagem durava 6 dias com paragens de 1 dia no Funchal e em Ponta Delgada. Havia somente 2 navios a efectuar essas viagens de 15 em 15 dias, o "Carvalho Araújo" e o "Lima".
Dos 6 dias programados para a viagem tirando os 2 dias de paragem, sobravam 4 dias a navegar em mar aberto.


Num dos seus livros, Luís Miguel Correia escreve que o paquete “Carvalho Araújo” fez a viagem inaugural à Madeira e aos Açores em Abril de 1930, a última viagem ocorreu em Março de 1970. O paquete “Lima” fez a viagem inaugural à Madeira e aos Açores em 1923, a última viagem ocorreu em Novembro de 1961.



VIAGEM LISBOA-TERCEIRA, a viagem Lisboa - Ilha Terceira foi efectuada no navio "Carvalho Araújo", passei os dias de viagem em mar aberto enjoado, por sorte com as paragens em terra para visitas turísticas o enjoo desaparecia e recarregava as baterias para a próxima viagem.


 VIAGEM TERCEIRA-LISBOA, a viagem Ilha Terceira - Lisboa foi efectuada no navio "Lima", grande parte da carga era constituída por gado vivo que era visita diária obrigatória. Tal como aconteceu na primeira viagem nesta também a passei enjoado, felizmente havia um intervalo com as 2 paragens em Ponta Delgada e Funchal. Neste regresso a Lisboa para além da família trouxemos uma cadela que penso que também enjoou(?).


Navio "Carvalho Araújo"






















Navio "Lima"























Aspecto do porto em dia de chegada de navio.




























"(...) E muito mais quando se nasce mais do que junto do mar, no próprio seio e infinitude do mar, como as medusas e os peixes  (...)"

[V Centenário do Descobrimento dos Açores (1932), artigo com definição do conceito "Açorianidade" , Vitorino Nemésio (1901-1978)]